O Mundo dos Queijos Artesanais: Tipos, Harmonizações e Métodos de Produção

Descubra o universo dos queijos artesanais: conheça os principais tipos, aprenda sobre harmonizações com vinhos e explore as técnicas tradicionais de produção que tornam cada queijo único.
Quejos artesanais

O queijo, em sua forma mais pura e artesanal, é uma celebração da tradição, do terroir e da paciência. Longe da produção em massa, o queijo artesanal é um produto vivo, cuja identidade é moldada pelo leite local, pelo clima, pela alimentação do gado e pelo toque do queijeiro.

Este guia completo mergulha no universo dos queijos feitos à mão, explorando os principais tipos, os métodos de produção que definem suas texturas e sabores, e a arte da harmonização para elevar a experiência de degustação.

O Que Define um Queijo Artesanal?

Um queijo é considerado artesanal quando sua produção é realizada em pequena escala, predominantemente manual, e segue métodos tradicionais, muitas vezes transmitidos por gerações. A característica mais distintiva é o uso de leite cru ou local, sem aditivos, o que permite que a flora microbiana natural (o terroir) do local influencie o sabor e a maturação do queijo [1].

A Importância do Terroir

O terroir (termo francês que significa “terra”) é um conceito que engloba o clima, o solo, a vegetação e a raça do animal. No contexto do queijo, o terroir é crucial.

“A flora microbiana presente no leite cru e no ambiente de cura (a queijaria) confere ao queijo artesanal um sabor único e complexo, que não pode ser replicado em outro lugar. É a assinatura daquele pedaço de terra.” [2]

Os Principais Tipos de Queijos Artesanais

Os queijos artesanais podem ser classificados de diversas maneiras, mas uma das mais úteis para o consumidor é baseada na sua textura e tempo de maturação.

1. Queijos Frescos e Macios (Sem Maturação)

São queijos com alto teor de umidade e sabor suave, consumidos logo após a produção.

  • Exemplos: Queijo Minas Frescal, Ricota, Mozzarella (fresca).
  • Produção: Coagulação rápida, sem prensagem ou maturação prolongada.
  • Harmonização: Vinhos brancos leves e secos (Sauvignon Blanc), espumantes, ou cervejas Pilsen e Witbier.

2. Queijos de Casca Florida (Mofos Brancos)

Caracterizados por uma casca branca e aveludada, causada pelo mofo Penicillium candidum. A casca é comestível e o interior é cremoso.

  • Exemplos: Brie, Camembert.
  • Produção: Coagulação láctica e enzimática, com o mofo sendo pulverizado na superfície antes da cura.
  • Harmonização: Vinhos brancos aromáticos (Chardonnay sem passagem por madeira) ou tintos leves (Pinot Noir). Cervejas Saison ou Tripel.

3. Queijos Azuis (Mofos Azuis)

Reconhecíveis pelas veias azul-esverdeadas causadas pelo mofo Penicillium roqueforti. Possuem sabor forte, picante e salgado.

  • Exemplos: Roquefort, Gorgonzola, Stilton.
  • Produção: O mofo é injetado no coalho, e o queijo é perfurado durante a maturação para permitir a entrada de oxigênio, essencial para o crescimento do mofo.
  • Harmonização: Vinhos de sobremesa doces (Porto, Sauternes) ou cervejas escuras e fortes (Stout, Barley Wine). O contraste entre o salgado e o doce é clássico.

4. Queijos Semiduros e Curados (Maturação Média)

Possuem menor teor de umidade e maior tempo de cura, resultando em sabores mais complexos e texturas mais firmes.

  • Exemplos: Queijo Minas Artesanal (Canastra, Serro), Gruyère, Emmental.
  • Produção: Prensagem para remover o soro e maturação que pode durar de semanas a meses.
  • Harmonização: Vinhos tintos de corpo médio (Merlot) ou cervejas Amber Ale e IPA.
Quejo gorgonzola

O Exemplo Brasileiro: O Queijo Minas Artesanal (QMA)

O Brasil possui uma rica tradição queijeira, com destaque para o Queijo Minas Artesanal (QMA), especialmente o da região da Serra da Canastra, que ganhou reconhecimento internacional.

O QMA é produzido com leite cru e utiliza o pingo (o soro fermentado da produção anterior) como fermento natural. Seu processo de produção envolve:

  1. Filtração do Leite: O leite cru é filtrado.
  2. Adição de Pingo e Coalho: O pingo (fermento natural) e o coalho são adicionados para coagulação.
  3. Corte e Mexedura da Massa: O coalho é cortado e mexido para liberar o soro.
  4. Dessoração e Prensagem: A massa é colocada em formas e prensada para remover o excesso de soro.
  5. Salga e Maturação: O queijo é salgado e deixado para curar em condições específicas de temperatura e umidade, o que desenvolve sua casca e sabor característicos [3].

A Arte da Harmonização: Encontrando o Par Perfeito

A harmonização de queijos com bebidas é uma ciência de equilíbrio e contraste. O objetivo é que o queijo e a bebida realcem o sabor um do outro, sem que um mascare o outro.

Princípios Básicos de Harmonização

PrincípioDescriçãoExemplo
IntensidadeQueijos e bebidas devem ter intensidade de sabor e aroma semelhantes.Queijo suave (Minas Frescal) com Vinho Leve (Sauvignon Blanc).
ContrasteA harmonização por contraste busca equilibrar sabores opostos, como doce e salgado.Queijo Azul (salgado/picante) com Vinho Doce (Vinho do Porto).
TexturaQueijos cremosos e gordurosos se beneficiam de bebidas com alta acidez ou efervescência para “limpar” o paladar.Queijo de Casca Florida (cremoso) com Espumante (acidez e bolhas).
TerroirAlimentos e bebidas produzidos na mesma região tendem a harmonizar bem.Queijo da Canastra com Cachaça Artesanal Mineira.

Tabela de Harmonização de Queijos

Tipo de QueijoSugestão de VinhoSugestão de Cerveja
Fresco (Minas Frescal)Vinho Branco Seco e Leve (Pinot Grigio)Pilsen, Lager Clara
Casca Florida (Brie)Vinho Branco Aromático (Chardonnay sem madeira)Saison, Tripel
Semiduro (Gruyère)Vinho Tinto de Corpo Médio (Merlot, Pinot Noir)Amber Ale, IPA
Curado (Parmesão)Vinho Tinto de Corpo Intenso (Cabernet Sauvignon)Stout, Porter
Azul (Gorgonzola)Vinho de Sobremesa Doce (Vinho do Porto, Sauternes)Barley Wine, Imperial Stout

Dicas de Degustação e Conservação

Para apreciar a plenitude de um queijo artesanal, alguns cuidados são essenciais.

1. Temperatura de Serviço

O queijo deve ser servido em temperatura ambiente (cerca de 20°C). Retirá-lo da geladeira pelo menos 30 minutos a 1 hora antes de servir permite que seus aromas e sabores se manifestem completamente.

2. Corte Adequado

O formato do corte deve respeitar a estrutura do queijo e garantir que cada porção contenha um pedaço da casca e do interior.

  • Queijos Redondos: Corte em fatias triangulares, como uma fatia de bolo.
  • Queijos Cilíndricos: Corte em fatias finas, como moedas.

3. Conservação

O queijo deve “respirar”. Nunca o envolva completamente em filme plástico, pois isso pode sufocá-lo e desenvolver mofo indesejado.

  • Método Ideal: Enrole o queijo em papel manteiga ou papel próprio para queijos e, em seguida, coloque-o em um recipiente hermético na gaveta de vegetais da geladeira.
Degustacao

Conclusão: Uma Jornada de Sabor e Tradição

O queijo artesanal é mais do que um alimento; é uma expressão cultural e um elo com a tradição. Ao escolher um queijo artesanal, você está optando por um produto de sabor complexo, que reflete o cuidado do produtor e a riqueza do terroir.

Entender os diferentes tipos, os métodos de produção e as regras de harmonização é o passaporte para uma jornada gastronômica rica e recompensadora, transformando uma simples tábua de queijos em uma experiência de degustação inesquecível.

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